Complexo de Golgi

 

O que é o Complexo de Golgi?

O Complexo de Golgi, também conhecido como aparelho de Golgi ou sistema golgiense, é uma organela celular presente em células eucariontes, tanto animais quanto vegetais. Trata-se de uma estrutura membranosa formada por um conjunto de sacos achatados e empilhados, denominados cisternas. Está situado próximo ao núcleo e ao retículo endoplasmático, com o qual mantém estreita relação funcional. Sua principal função é modificar, armazenar e encaminhar substâncias produzidas no retículo endoplasmático, especialmente proteínas e lipídios.



Estrutura do Complexo de Golgi

A estrutura do Complexo de Golgi é composta por várias cisternas membranosas empilhadas, formando um sistema polarizado com duas faces distintas: a face cis e a face trans. A face cis, também chamada de face de entrada, é voltada para o retículo endoplasmático e recebe as vesículas com proteínas recém-sintetizadas. Já a face trans, ou face de saída, está orientada para a membrana plasmática e é responsável pela exportação das substâncias modificadas. Entre essas duas regiões existe o interior do Golgi, onde ocorrem diversas transformações bioquímicas.



Funções do Complexo de Golgi

O Complexo de Golgi desempenha funções essenciais para o funcionamento da célula. Uma de suas principais atribuições é o processamento e a modificação de proteínas e lipídios recebidos do retículo endoplasmático. Essas modificações incluem a adição de grupos fosfato (fosforilação), sulfato (sulfatação), acetilações e a ligação de carboidratos (glicosilação), formando glicoproteínas e glicolipídios. Outra função relevante é o empacotamento e o transporte dessas substâncias, que são organizadas em vesículas e destinadas a diferentes locais: a membrana plasmática, o meio extracelular ou outras organelas.



Síntese e transporte de substâncias

As proteínas sintetizadas nos ribossomos aderidos ao retículo endoplasmático rugoso são inseridas nas suas membranas e transportadas até o Complexo de Golgi em vesículas de transição. Ao chegarem à face cis do Golgi, essas vesículas se fundem com as cisternas e liberam seu conteúdo no interior da organela. Durante a passagem pelas cisternas, as proteínas sofrem modificações enzimáticas que determinam seu destino final. Na face trans, são selecionadas e empacotadas em novas vesículas, que se desprendem e seguem até os locais de atuação.



Formação de lisossomos

Uma das atividades mais relevantes do Complexo de Golgi é a formação de lisossomos. Esses lisossomos são vesículas repletas de enzimas digestivas responsáveis pela degradação de substâncias internas ou externas à célula. As enzimas lisossômicas são sintetizadas no retículo endoplasmático e transferidas para o Golgi, onde são ativadas e empacotadas em vesículas específicas. Assim, o Golgi participa ativamente do sistema de digestão intracelular da célula eucariótica.



Produção de polissacarídeos

No caso das células vegetais, o Complexo de Golgi também atua na síntese de polissacarídeos que compõem a parede celular, como a pectina e a hemicelulose. Essas substâncias são importantes para a sustentação, proteção e comunicação celular. Após a síntese, esses polissacarídeos são incorporados às vesículas e enviados para o exterior da célula, contribuindo para a formação e renovação da parede celular.



Participação na secreção celular

O Complexo de Golgi exerce papel central na secreção celular, especialmente em células secretoras, como as do pâncreas e das glândulas salivares. Nessas células, o Golgi empacota hormônios, enzimas e outras substâncias em vesículas de secreção, que se deslocam até a membrana plasmática. Ao fundirem-se com a membrana, essas vesículas liberam seu conteúdo no espaço extracelular por meio do processo de exocitose, regulando funções fisiológicas no organismo.



Importância no transporte de membranas

Além de processar e encaminhar substâncias, o Complexo de Golgi participa ativamente no tráfego de membranas dentro da célula. Ele contribui para a renovação da membrana plasmática ao fornecer componentes lipídicos e proteicos que a compõem. Isso ocorre através da fusão de vesículas oriundas do Golgi com a membrana, ampliando sua superfície e garantindo sua integridade funcional.



Interação com outras organelas

O funcionamento do Complexo de Golgi está interligado ao de outras organelas. Ele depende do retículo endoplasmático para receber proteínas e lipídios, colabora com os lisossomos na digestão intracelular e interage com a membrana plasmática para realizar secreções. Essa integração evidencia a complexidade do sistema endomembranoso celular, no qual o Golgi se destaca como um centro de distribuição, modificação e empacotamento molecular.


Imagem de microscópio do Complexo de Golgi na célula
Imagem de microscópio mostrando o Complexo de Golgi na célula.

 

 


 

Artigo revisado por Tânia Cabral - Professora de Biologia e Ciências - graduada na Unesp, 2001.


Atualizado em 22/07/2025



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Bibliografia Indicada:

 

Fontes de referência do texto:

 

MENDONÇA, Vivian L. Biologia. São Paulo: Editora AJS, 2016.

 

FAVARETTO, José Arnaldo. 360° Biologia – Diálogos com a Vida. São Paulo: Editora FTD, 2015.

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