O que é
A anta é um mamífero herbívoro pertencente à família Tapiridae e ao gênero Tapirus. Trata-se de um animal de grande porte, reconhecido pelo corpo robusto, pelas pernas relativamente curtas e pela pequena tromba móvel formada pelo prolongamento do nariz e do lábio superior. As antas fazem parte da ordem Perissodactyla, a mesma que reúne cavalos e rinocerontes.
Esses animais possuem uma longa história evolutiva e conservam características corporais semelhantes às de seus ancestrais. Atualmente, as antas vivem em regiões tropicais e montanhosas da América Central, da América do Sul e do Sudeste Asiático. No Brasil ocorre a anta-brasileira, também conhecida como anta-sul-americana.
Características físicas
• Corpo robusto: a anta apresenta corpo grande, arredondado e musculoso. Essa constituição facilita seu deslocamento pela vegetação fechada das florestas.
• Tromba curta: o nariz e o lábio superior formam uma pequena estrutura flexível semelhante a uma tromba. Ela é utilizada principalmente para alcançar folhas, frutos e outros alimentos.
• Pelagem curta: a maior parte das espécies apresenta pelos curtos e relativamente densos. A coloração varia conforme a espécie, predominando tons de marrom, cinza e preto.
• Tamanho: as antas adultas podem ultrapassar 2 metros de comprimento. Dependendo da espécie, seu peso pode variar aproximadamente entre 150 e mais de 300 kg.
• Patas adaptadas ao terreno: possuem quatro dedos nas patas dianteiras e três nas traseiras. Essa estrutura ajuda na sustentação do peso e no deslocamento por terrenos úmidos e lamacentos.
• Olhos e orelhas: os olhos são relativamente pequenos, enquanto as orelhas possuem formato arredondado e boa mobilidade, contribuindo para a percepção de sons no ambiente.
• Filhotes camuflados: os filhotes apresentam pelagem marrom-avermelhada marcada por manchas e listras claras. Esse padrão funciona como camuflagem entre folhas, sombras e vegetação.
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| Anta-brasileira ou anta-sul-americana (Tapirus terrestris) |
Alimentação
A anta é herbívora. Sua alimentação é composta principalmente por folhas, brotos, ramos jovens, plantas aquáticas, frutos e sementes. A pequena tromba permite selecionar e puxar partes das plantas antes de levá-las à boca.
Os frutos possuem papel importante em sua dieta. Ao ingerir frutos e posteriormente eliminar suas sementes pelas fezes, a anta participa da dispersão de diversas espécies vegetais. Por essa razão, pode contribuir diretamente para a regeneração e a manutenção das florestas onde vive.
Reprodução
As antas apresentam reprodução sexuada e são mamíferos placentários. A gestação é longa, geralmente próxima de 13 meses, variando um pouco entre as espécies. Normalmente nasce apenas um filhote por gestação.
Ao nascer, o filhote possui coloração bastante diferente da dos adultos, com manchas e listras claras. Esse padrão desaparece gradualmente durante os primeiros meses de vida. A mãe amamenta e protege o jovem até que ele alcance maior independência.
Como as antas apresentam gestação prolongada e normalmente produzem apenas um filhote por vez, suas populações possuem crescimento relativamente lento. Essa característica torna esses animais especialmente vulneráveis quando sofrem forte pressão de caça ou perda de habitat.
Habitat e distribuição geográfica
As antas vivem principalmente em ambientes com vegetação relativamente densa e disponibilidade de água. Florestas tropicais, matas úmidas, áreas próximas de rios, pântanos e regiões montanhosas estão entre seus principais habitats.
Na América, sua distribuição ocorre desde partes do sul do México e da América Central até grande parte da América do Sul. No Brasil, a anta-brasileira pode ser encontrada em diferentes biomas, incluindo Amazônia, Cerrado, Pantanal e remanescentes da Mata Atlântica.
Uma espécie bastante diferente das americanas vive no Sudeste Asiático. A anta-malaia ocorre em áreas florestais da Península Malaia e da ilha de Sumatra.
Comportamento
As antas geralmente possuem hábitos solitários. A aproximação entre indivíduos ocorre principalmente durante a reprodução e na relação entre a mãe e o filhote. Cada animal costuma percorrer áreas relativamente extensas em busca de alimento, água e locais adequados para descanso.
Grande parte de suas atividades ocorre no final da tarde, durante a noite e nas primeiras horas da manhã, embora o horário possa variar conforme as condições ambientais e a interferência humana.
Apesar da aparência pesada, as antas são boas nadadoras. Costumam entrar em rios, lagos e áreas alagadas para atravessar trechos, alimentar-se de plantas aquáticas, refrescar o corpo ou escapar de ameaças. Também conseguem movimentar-se com eficiência por vegetação fechada, utilizando trilhas que podem ser percorridas repetidamente.
Exemplos de espécies de anta:
Anta-brasileira ou anta-sul-americana (Tapirus terrestris): é encontrada em grande parte da América do Sul e é a espécie presente no Brasil. Possui coloração geralmente marrom-escura ou acinzentada e está associada principalmente a florestas, áreas alagadas e ambientes com acesso à água.
Anta-de-Baird (Tapirus bairdii): ocorre principalmente na América Central e em uma pequena região do noroeste da América do Sul. Está entre as maiores antas americanas e depende fortemente de grandes áreas de floresta preservada.
Anta-da-montanha (Tapirus pinchaque): vive nas regiões elevadas da Cordilheira dos Andes, principalmente na Colômbia, no Equador e no norte do Peru. Apresenta pelagem relativamente mais espessa, uma adaptação às temperaturas mais baixas dos ambientes montanhosos.
Anta-malaia (Tapirus indicus): é a única espécie atual de anta encontrada na Ásia. Sua aparência é facilmente reconhecida pela grande faixa branca ou acinzentada que cobre a parte central e posterior do corpo, contrastando com a cabeça e as pernas escuras.
Cinco curiosidades sobre a anta:
1. É o maior mamífero terrestre nativo da América do Sul
A anta-brasileira pode atingir algumas centenas de quilogramas e figura como o maior mamífero terrestre nativo do continente sul-americano.
2. A tromba é bastante móvel
Embora seja muito menor que a de um elefante, a pequena tromba da anta possui grande mobilidade. O animal consegue utilizá-la para agarrar folhas, frutos e outros alimentos.
3. Os filhotes parecem muito diferentes dos adultos
Durante os primeiros meses de vida, os filhotes apresentam listras e manchas claras sobre a pelagem marrom. Essa coloração ajuda a dificultar sua identificação entre a vegetação e as sombras da floresta.
4. Pode atuar como importante dispersora de sementes
Ao percorrer grandes distâncias e consumir numerosos frutos, a anta transporta sementes pelo ambiente. Algumas são eliminadas longe da planta original, favorecendo a formação e a renovação da vegetação.
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| Infográfico sobre as principais características da Anta. |
Classificação científica da anta:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Perissodactyla
Família: Tapiridae
Gênero: Tapirus
Por Tânia Cabral - Professora de Biologia e Ciências do Ensino Fundamental e Médio - graduada na Unesp, 2001.
Publicado em 07/09/2026